terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Aconteceu em Woodstock*

Banda do Joe Cocker se apresentando em Woodstock (1969)
Foto: Elliot Landy

Até quem não é fã de rock já ouviu falar em WOODSTOCK. O grande festival que, durante 3 dias, reuniu milhares de pessoas e alguns dos grandes nomes e promessas da música dos anos 60 na pequena cidade de Bethel (NY).

Woodstock sempre será lembrado como o evento que uniu pessoas que acreditavam na sedimentação de uma nova mentalidade guiada pelo pacifismo, pelo amor à música e pelo desprezo às ideias e fórmulas de sociedade criadas por seus pais. Apesar disso, ele só aconteceu graças a união de dois hippies, dois jovens bem-nascidos que buscavam algo para alavancar suas carreiras no mundo dos negócios, e um senhor de 60 anos.

Artie Kornfeld e Michael Lang tinham o objetivo de construir um estúdio de gravação em Woodstock, cidadezinha que atraiu um grande número de músicos e boêmios após a chegada de Bob Dylan. E John Roberts e Joel Rosenman tinham o dinheiro.

A ideia do festival surgiu como forma de divulgação do estúdio (que nunca saiu do papel) e o dinheiro dos ingressos deixaria todos ricos. Porém, realizar um festival como Woodstock parecia não ser uma tarefa fácil desde o início. Como a cidade que emprestou o nome ao evento era muito pequena, os organizadores começaram a buscar propriedades nas regiões próximas. Depois de muitos embates com a população local e as diversas ameaças de sabotagem, eis que surge Max Yasgur: um fazendeiro de 60 anos e fornecedor de laticínios da cidade de Bethel (distante 1:30h de Woodstock) disposto a ceder parte de suas terras para a realização do festival.

(Foto: Baron Wolman)

Apenas 60 mil ingressos haviam sido vendidos antecipadamente, mas na quinta-feira (um dia antes dos primeiros shows acontecerem) todas as vias de acesso ao festival estavam bloqueadas pelo trânsito por pelo menos 30 km. Na sexta pela manhã, o chefe da segurança já dava entrevistas pedindo que ninguém mais se dirigisse a Bethel devido a lotação do festival. Enquanto isso, várias pessoas cortavam os arames farpados que cercavam o local, ou simplesmente passavam por baixo deles. O colapso era tanto que, ainda nesse primeiro dia de evento, a polícia fechou a principal artéria que ligava Nova Jersey e Nova York ao festival, e a Guarda Nacional, por ordem do governador de Nova York, foi deslocada para lá.

Mas nem isso faria o pior dos pessimistas imaginar o caos que se estabeleceria ali nos dias seguintes. Ainda no primeiro dia do festival um temporal transformou o acampamento em um lamaçal. Traficantes de LSD circulavam como vendedores de água em um engarrafamento. 400 mil pessoas tinham que se virar com 600 banheiros portáteis. Faltavam materiais para atendimento médico, água e comida. Três mortes foram registradas (uma por overdose de heroína, outra por apendicite e outra por atropelamento de um trator).

Algumas bandas que se apresentariam na sexta-feira ficaram presas no engarrafamento, outras cancelaram suas apresentações em cima da hora. Alguns artistas com medo de não receberem seus cachês ensaiaram uma rebelião contra a organização e outros tiveram que antecipar e estender suas apresentações.

(Foto: Baron Wolman)

Apesar de ser um dos festivais mais famosos da história, os organizadores do festival, John Roberts e Joel Rosenman, só conseguiram zerar as dívidas com artistas, fornecedores e com o próprio Max Yasgur dez anos depois de sua realização.



* Essa publicação foi escrita tendo como referência o livro "O Som da Revolução", de Rodrigo Merheb.

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